Se você foi diagnosticado com câncer de tireoide, é natural que sinta uma mistura de apreensão e incerteza. Nesse momento, tenho certeza que compreender cada etapa do tratamento vai te oferecer um pouco mais de tranquilidade. Um desses tratamentos, que pode ser uma peça fundamental no seu plano de cuidados, é a terapia de supressão do TSH.
A função dessa terapia é evitar que o TSH – um hormônio que estimula o crescimento de células tireoidianas, e pode estimular o crescimento das células do câncer da tireoide – esteja presente no sangue em níveis que possam favorecer a recorrência do câncer. Assim, utilizamos a levotiroxina, um hormônio sintético, para manter o TSH em níveis muito baixos, ou até indetectáveis. Esse é um passo importante para pacientes que foram diagnosticados com os tipos mais comuns de câncer de tireoide, como o carcinoma papilífero, carcinoma folicular e carcinoma de células de Hürthle.
Mas, eu sei que diante de termos técnicos, você pode estar se perguntando: “Como isso realmente me afeta?”
Após a cirurgia da tireoide para tratar o câncer, a maioria das pessoas vai ser submetida a esta terapia de supressão. E a sua intensidade vai depender do risco de a doença apresentar recorrência. Se tudo estiver indo bem, sem sinais de doença e com a tireoglobulina (TG) baixa, o TSH será mantido perto do limite inferior. Mas, se houver qualquer resquício da doença, nós seremos mais agressivos, mantendo o TSH suprimido ao máximo, muitas vezes indetectável. Para aqueles que têm a tireoglobulina elevada, mas sem evidência de novas lesões, ajustamos o TSH para um nível muito baixo, mas não totalmente suprimido.
Uma observação importante: muitos pacientes ficam assustados quando veem o TSH abaixo da faixa de referência do laboratório no exame de sangue, e agora que você entende os detalhes da supressão, sabe bem por que esse resultado pode ser exatamente o que se busca após a cirurgia da tireoide.
Por quanto tempo será necessário?
A terapia, na maioria dos casos, será mantida por cerca de 5 anos. Isso pode parecer um longo período, mas lembre-se, estamos juntos nessa jornada, e todo esse cuidado é para garantir que o risco de recorrência seja o menor possível. Com o tempo, essa necessidade pode mudar, e nos adaptaremos conforme sua saúde evolui.
Há riscos, mas há também cuidados
Sei que qualquer tratamento gera preocupações, mas acredito que é importante conhecer os possíveis efeitos colaterais da supressão prolongada do TSH para que possamos monitorizá-los constantemente. São principalmente dois os efeitos colaterais que sempre destaco aos meus pacientes:
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A possibilidade de perda de densidade óssea, especialmente em mulheres após a menopausa. O que aumenta o risco de osteoporose. Para alguns pacientes, associamos o uso de cálcio e vitamina D justamente com o objetivo de reduzir este risco.
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A possibilidade sobrecarga cardíaca nos pacientes cujo TSH está suprimido por muitos anos. Especialmente em pacientes mais idosos, isso pode levar a arritmias e em casos mais graves a insuficiência cardíaca.
Os riscos assutam, e isso é natural. Mas é fundamental saber que eles não superam os benefícios trazidos pela terapia de supressão do TSH. O que nos cabe é manter de perto o seguimento da supressão de TSH após o tratamento inicial com cirurgia ou cirurgia associada a radioiofoterapia.
O que eu gostaria que você levasse daqui
Este tratamento pode parecer desafiador, mas ele é uma peça importante na sua jornada de cura. Cada paciente é único, e as decisões são tomadas com extremo cuidado, levando em consideração suas necessidades específicas. Se eu pudesse te dizer uma coisa, seria: não tenha medo de perguntar, de entender e de fazer parte ativa desse processo. O conhecimento e a confiança em cada etapa são essenciais para que você se sinta seguro(a) e amparado(a).
Cuidar de você vai além do tratamento médico. É estar ao seu lado, orientando, esclarecendo, e, acima de tudo, caminhando junto com você, um passo de cada vez.






