Rastreio do Câncer de Tireoide: Quem Realmente Precisa?

Ultrassom para rastreio do câncer de tireoide

Nos últimos anos, o câncer de tireoide passou a ser mais diagnosticado em todo o mundo. Mas será que isso significa que ele se tornou mais comum — ou que estamos apenas encontrando mais casos graças aos exames de imagem?

Essa é uma pergunta importante, especialmente quando falamos sobre rastreamento (ou screening) do câncer de tireoide em pessoas assintomáticas.

O que é o rastreamento do câncer de tireoide?

Rastrear significa procurar uma doença antes que ela cause sintomas. No caso do câncer de tireoide, isso seria, por exemplo, fazer uma ultrassonografia de pescoço em uma pessoa que não tem queixas, nódulos palpáveis ou histórico familiar.

Por que não é recomendado para todos?

Pode parecer contraintuitivo, mas o rastreamento indiscriminado do câncer de tireoide não reduz a mortalidade e pode, na verdade, causar mais danos do que benefícios.

Estudos populacionais, como os realizados na Coreia do Sul — onde houve um aumento massivo de exames de imagem — mostram um crescimento exponencial no diagnóstico de pequenos cânceres, sem impacto significativo na mortalidade. Isso significa que muitos dos tumores encontrados eram indolentes, ou seja, não colocariam a vida do paciente em risco mesmo se não fossem tratados.

Além disso, um diagnóstico pode levar a intervenções desnecessárias, como cirurgias com riscos, uso de hormônio pelo resto da vida, e ansiedade prolongada.

Então ninguém deve fazer?

Não é bem assim.

Existem grupos que se beneficiam do rastreamento, pois o risco de câncer de tireoide agressivo é mais alto. Entre eles:

  • Pessoas com história familiar de câncer de tireoide, especialmente os do tipo medular ou síndromes genéticas associadas.
  • Indivíduos que sofreram exposição à radiação na infância, como em tratamentos para linfomas ou em acidentes nucleares.
  • Pacientes com nódulos palpáveis no pescoço ou alterações sugestivas em exames clínicos.
  • Quem tem síndromes genéticas específicas, como a neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2).
  • Profissionais de saúde que acompanham pacientes de risco, como endocrinologistas e cirurgiões de cabeça e pescoço, também fazem rastreamento mais direcionado com base em sinais clínicos e antecedentes.

Conclusão: mais exames nem sempre significam mais saúde

Fazer exames por conta própria, sem indicação médica, pode gerar mais angústia do que tranquilidade. O ideal é individualizar: avaliar o histórico, examinar com atenção e, quando necessário, investigar.

Na dúvida, marque uma consulta.
A boa medicina está menos em fazer “todos os exames possíveis” e mais em fazer os exames certos, para as pessoas certas, no momento certo.

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DR. LAURO MATOS DE ALMEIDA

Cirurgião de Cabeça e Pescoço

NICE - Núcleo Integrado de Cirurgia e Endocrinologia

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